A Psiquiatria é a especialidade médica que se dedica à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças ou perturbações mentais.

Entre estas incluem-se:

  • Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia e a perturbação delirante (classicamente designada de paranoia);
  • Perturbações do humor (ou afetivas), que incluem a depressão e a perturbação afetiva bipolar;
  • Perturbações de ansiedade – e.g. perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, perturbação de ansiedade social e fobias específicas;
  • Perturbação obsessivo-compulsiva;
  • Perturbações especificamente relacionadas com o stress, como a perturbação de stress pós-traumático e a perturbação de luto prolongado;
  • Perturbações do comportamento alimentar, como a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a perturbação de ingestão alimentar compulsiva (binge eating);
  • Perturbações do uso de substâncias ou associadas a comportamentos aditivos (dependências);
  • Perturbações de personalidade;
  • Perturbações do neurodesenvolvimento, de que são exemplo as perturbações do espetro do autismo, a perturbação de hiperatividade e défice de atenção e as perturbações do desenvolvimento intelectual.

De acordo com a evidência científica, as doenças psiquiátricas têm uma elevada prevalência, estimando-se que, ao longo da vida, uma em cada cinco pessoas venha a sofrer de uma destas, sendo mais comuns as perturbações de ansiedade e do humor, nomeadamente a depressão. Pelo seu impacto na vida de cada indivíduo – a nível pessoal, familiar, social, profissional – e pela existência de tratamento dirigido, importa procurar apoio médico tão cedo quanto possível. Como sublinha a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há saúde sem saúde mental.

Antes de tratar é necessário diagnosticar e, para isso, o médico colhe a história clínica completa da pessoa, que inclui a avaliação do seu estado mental. Este aspeto é de extrema importância, dado que doenças não psiquiátricas – de que são exemplo algumas doenças endócrinas (hormonais), neurológicas e oncológicas – podem apresentar sintomas psiquiátricos. Assim, para um correto diagnóstico, em muitos casos é necessário recorrer a exames complementares de diagnóstico, tais como exames laboratoriais e de imagem e testes neuropsicológicos.

O tratamento em Psiquiatria tem duas grandes vertentes: psicofarmacológica e não psicofarmacológica. A primeira refere-se ao arsenal de fármacos de que atualmente dispomos, eficazes e muitos deles sem os clássicos efeitos secundários que tradicionalmente se associavam a este tipo de medicamentos. A segunda, tão importante quanto a anterior, inclui diversos modelos de psicoterapia, terapia ocupacional, psicomotricidade, entre outros. Assim se compreende a importância da intervenção multidisciplinar e integrada em saúde mental.

Não obstante a importância do tratamento específico da doença mental, o objetivo principal do médico psiquiatra é aliviar o sofrimento de que a pessoa padece e promover o seu bem-estar psíquico, físico e social. Tal como define a OMS, a saúde mental é “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”.

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