A depressão não é simplesmente “sentir-se triste“. Todos nós já nos sentimos tristes ou irritados perante perdas ou frustrações, estes sentimentos são naturais. Contudo, se a tristeza e irritabilidade é intensa, persiste no tempo e é acompanhada de outros sintomas, tais como, apatia, desinteresse, falta de energia, isolamento, entre outros, podemos estar na presença de um quadro depressivo.

Ao contrário do que se pensava há algumas décadas atrás, sabe-se hoje que as crianças tal como os adultos apresentam quadros clínicos de depressão. Dado o atual reconhecimento da gravidade desta perturbação na infância e adolescência, a investigação nesta área tem vindo a aumentar. Atualmente é consensual que a depressão afeta negativamente todas as áreas de funcionamento psicossocial do jovem (e.g. o sistema familiar, as díades entre pais e filhos, as relações com os pares, o desempenho escolar), prejudicando o seu desenvolvimento normativo.

As crianças e os adolescentes deprimidos manifestam um conjunto de sintomas, designadamente:

  • Tristeza ou humor depressivo muitas vezes expressos através de irritabilidade e zanga
  • Pessimismo, atenção seletiva para as situações negativas e previsão de resultados negativos,
  • Anedonia, patente no decréscimo de interesse e prazer na realização das atividades habituais, levando a comportamentos de apatia e isolamento social
  • Diminuição da atenção, da concentração e da capacidade de tomar decisões
  • Distúrbios no apetite e no sono (insónia ou hipersónia)
  • Queixas somáticas, como por exemplo, dores infundadas de cabeça, de estômago e músculos
  • Agressividade, inquietação e agitação motora ou letargia e apatia
  • Fadiga ou falta de energia
  • Choro frequente
  • Sentimentos de desesperança e de desamparo, bem como de inutilidade ou de culpa excessiva
  • Ideação suicida, tentativa de suicídio ou pensamentos e preocupações recorrentes com a morte

Embora estes sintomas sejam frequentes, considera-se que nem todas as crianças e jovens manifestam a depressão com a mesma sintomatologia.

É de referir ainda que comparativamente com os adultos deprimidos, os jovens com depressão exibem mais dificuldades interpessoais, mais ideação suicida, mais problemas com os pares e mais abuso de substâncias do que os adultos. De sublinhar também que as crianças e adolescentes deprimidos tendem a apresentar mais irritabilidade e zanga do que tristeza e humor deprimido, de forma que há que estar alerta para não se confundir a expressão destes sentimentos com comportamentos de oposição.

Uma vez que a depressão nos jovens tem implicações negativas em múltiplas áreas (e.g. sucesso académico, família e relações com os pares) e consequências nefastas na saúde a longo termo (e.g. abuso de substâncias, suicídio), é fundamental que na presença de um quadro clínico de depressão se recorra a uma ajuda especializada.

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